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“Existir é Resistir”: Trash No Star lança EP construído ao longo de 12 anos entre música, trabalho e militância cultural

  • há 12 horas
  • 4 min de leitura

No dia 15 de junho de 2026, a Trash No Star lança Existir é Resistir, novo EP da banda carioca formado por sete faixas que atravessam o noise, o grunge, o punk, o experimental e o indie rock noventista para falar sobre sobrevivência em tempos de esgotamento. Com referências que passam por bandas como Sonic Youth, Babes in Toyland, L7, Mercenárias, Superchunk e Dinosaur Jr., o trabalho transforma angústia social, precariedade e deslocamento em ruído, melodia e permanência.


Trash No Star - Foto por Samuel Barbosa
Trash No Star - Foto por Samuel Barbosa

Mais do que um lançamento, Existir é Resistir também documenta um processo atravessado pelo tempo. O EP começou a ser gravado ainda nos anos em que a banda integrava o selo Transfusão Noise Records, mas acabou interrompido pelas urgências da vida real. Em 2015, a guitarrista Lety e a baixista Hanna fundaram o selo Efusiva, iniciativa voltada à circulação de produções independentes de mulheres e demais artistas dissidentes. Pouco depois, em 2016, nasceu a Motim — espaço cultural criado inicialmente por Lety e posteriormente construído coletivamente também por Hanna — que permaneceu ativo até Abril de 2024 promovendo shows, encontros e protagonismo para mulheres e pessoas LGBT+ na cena independente do Rio de Janeiro em conexão com todo o país. Durante quase oito anos, a administração da Motim atravessou completamente a trajetória da banda. Entre trabalho, estudos, maternidade, deslocamentos pela cidade e a manutenção diária do espaço cultural, o EP foi sendo pausado, retomado e reconstruído inúmeras vezes. Apenas após o encerramento das atividades da Motim foi possível retornar integralmente à finalização do disco.


Essa travessia aparece diretamente nas músicas. As sete faixas — Girls, Catch the Sun, Candy, Existir é Resistir, On Fire, Eu Não Quero Ouvir Você e Medo — falam sobre viver entre opressão e sobrevivência, tentando encontrar espaço para amar, respirar e continuar sonhando apesar das violências estruturais impostas às pessoas pobres, trabalhadoras, periféricas, pretas, mulheres e dissidentes. O título do EP nasce justamente dessa experiência cotidiana.


“Existir é Resistir” não surge como uma mensagem de otimismo tóxico ou superação romantizada. O trabalho parte da ideia de que permanecer vivo, criando e acreditando em outras possibilidades de existência já é, por si só, uma forma de resistência — mesmo quando desistir de algumas coisas também se torna necessário para continuar sobrevivendo.


Existir é Resistir - Capa por Hanna Halm
Existir é Resistir - Capa por Hanna Halm

Fundada originalmente na Baixada Fluminense por Lety e Felipe, a Trash No Star posteriormente se deslocou para Vila Isabel, bairro onde funcionava a Motim e que aproximava a rotina da banda das universidades, trabalhos e da intensa circulação entre periferia e centro do Rio de Janeiro. Hanna, integrante da banda e também parte fundamental da construção da Motim e da Efusiva, é de Queimados. Essas experiências de deslocamento urbano, estudo e trabalho atravessam diretamente a identidade da banda.


O EP também carrega marcas importantes das pessoas que passaram pela trajetória do grupo. Safira, ex-integrante da Trash No Star, gravou todas as baterias do trabalho, enquanto Eden (também ex-integrante) participou gravando as guitarras da faixa Medo. A produção foi assinada pela própria banda ao lado de Leo Moreira “Shogun”, responsável também pela mixagem e masterização. As baterias foram registradas na Audio Rebel, enquanto guitarras, baixos e vocais foram gravados de forma caseira por Lety, preservando o caráter íntimo, urgente e DIY (Do it Yourself) do disco.

O lançamento acontece pela Efusiva, selo independente criado pelas integrantes Lety e Hanna, agora somando forças com a Alterego. A parceria reforça a construção coletiva que sempre acompanhou a trajetória da Trash No Star: redes independentes de afeto, criação e circulação artística como alternativa possível dentro de uma cena marcada pela precarização e desigualdades de acesso.


Tracklist:

1. Girls

2. Catch the Sun

3. Candy

4. Existir é Resistir

5. On Fire

6. Eu Não Quero Ouvir Você

7. Medo

Lançamento: 15 de junho de 2026

Selos: Efusiva e Alterego


Informações/Créditos:

Gravado entre Julho/2025 e Fevereiro/2026

Produção Leo Moreira “Shogun” & Trash No Star

Todas as músicas por Trash No Star

Arte: Hanna Halm

Agradecimentos especiais:

Safira e Eden pelo amor envolvido nesse EP

Hanna, Soso & Vita pelo fogo no rabo & amor absoluto sempre

Samuel Barbosa, Juli Bezerra, OLIVER JÜLES, Bernardo pelo olhar, criatividade e correria

que inspira nossa existência

Nico, Pablo e Lelê por nossa vida compartilhada & co autores dessas canções

Selos Efusiva e Alterego


Trash No Star - Foto por Samuel Barbosa
Trash No Star - Foto por Samuel Barbosa

Trash No Star: Formada na baixada Fluminense (RJ), atualmente contando com Lety (voz/guitarra); Felipe Santos (voz/guitarra); Hanna Halm (Baixo) e Bernardo (bateria); a Trash No Star segue a cartilha do underground estadunidense de meados de 80 e início de 90, com riffs de guitarras distorcidas, microfonias, punk e lo-fi.

Inspirados por Sonic Youth, Babes in Toyland, Mudhoney, Flaming Lips, Dinosaur Jr., L7 e outras bandas que talvez não sejam tão fáceis de se perceber em seu som, a Trash no Star é

uma banda que foca em temáticas psicológicas e políticas, entendendo que discurso e prática devem sempre andar de mãos dadas.

Durante esses anos de história, intercalaram seus lançamentos - Single Ladies (2013) e Stay Creepy: (no)Summer Hits (2014, os Singles ‘Single Ladies’ (2023), os singles Bobagem (2024) e Por Nós (Novembro/2024) a participação no projeto Rock Triste Contra o Coronavírus, idealizado por Vitor Brauer, com uma releitura de “Quando Te Encontrei”, do Raça Negra, iniciativa que reuniu artistas independentes em apoio a comunidades vulneráveis durante a pandemia. E a colaboração com Vitor Brauer no projeto Tréinquinumpára 02: Rio de Janeiro, participando das composições das faixas “Motim” e “A Liberdade É Uma Prisão” - agendas de shows e participações em festivais, com a rotina caótica que envolve ser pai e mãe de três crianças e ainda administrar um centro cultural, a Motim que se manteve na ativa de 2016 até

Abril de 2024.

Selos/gravadora: Efusiva / Alterego

 
 
 

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